domingo, 11 de fevereiro de 2018

Sobre o parto e os primeiros dias da Magia

[Nota prévia e importante: este texto estava nos rascunhos desde que a Magia fez uma semana. Reconheço a força das hormonas de quando o escrevi. Reconheço o sofrimento por que passei. Gostava de ter escrito outras coisas. Gostava de ter tido outras coisas para escrever. Passou-me pela cabeça apagá-lo, atendendo a que a Magia fez ontem nove meses e isto "cheira" a passado, e a um passado não muito feliz. Mas decidi publicá-lo sem fazer alterações, nem acrescentos, excluindo esta nota prévia.]


 


Há uma semana por esta hora (e várias horas antes desta e muitas horas depois!) eu estava no hospital. Eu e o Rogério tínhamos pensado que ao fim da manhã ela [a Magia] já deveria ter nascido... Como nos enganámos! A  Magia nasceu depois das dez e meia da noite.


 


O parto da Magia fez-me lembrar o da Vassoura, pois passei por momentos de dor e frustração que não consegui aguentar. A certa altura, só conseguia murmurar (praticamente sem som - o Rogério não me ouvia) várias frases curtas, do género: "Faça-se a tua vontade e não a minha.", "Tu queres, Jesus? Então eu também quero.", "Nós, Jesus,...". Podem parecer patetices a alguns leitores mais extraterrestres (vocês sabem quem são), mas murmurar estas frases em modo non-stop ajudou-me. Não me tirou dores, mas ajudou-me a dar-lhes um sentido. Bem, na altura não lhes dei nenhum sentido especial, limitei-me a juntar a minha dor à de Jesus.


 


Ao longo desta semana tenho vindo a apaixonar-me cada vez mais pela Magia.


 


O que ainda não é nada mágico é a amamentação. A Magia já consegue fazer uma boa pega, apesar das dificuldades específicas que os meus mamilos causam, mas há uma enorme diferença entre conseguir e fazer sempre. Todos os dias faz várias pegas mal feitas e quem paga são os meus mamilos. Não há maneira de cicatrizarem. Para quem não é mãe e me lê, sim, se não se for abençoada com um processo fácil (caso, entre outros, da minha irmã Margarida, que por três vezes passou pela experiência de dar de mamar como se de nada se tratasse), pode-se sofrer bastante com o processo de amamentação e ter feridas nos mamilos é apenas um dos problemas.


 


Apesar destas dificuldades, às quais se acrescenta uma perda de peso da Magia para além do desejável, eu quero e vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para que o leite materno seja o alimento exclusivo da Magia durante os primeiros seis meses, tal como recomenda a OMS, e tal como eu sempre quis (e não consegui com nenhum dos mais velhos).


 


Acho que a maior parte das pessoas é obcecada com o peso dos bebés, se eles não aumentarem muito de semana para semana. Parece que ter um percentil baixo é crime! Essas pessoas (maioritariamente médicos, mas não só) são as mesmas que falam contra a obesidade infantil. Do oito para o oitenta.


 


Eu não quero que nenhum filho meu passe fome, nem em bebé, nem em altura nenhuma. Mas irrita-me profundamente que, depois de avaliar o bebé e dizer que está a desenvolver-se muito bem, está muito desperto, faz tudo o que é suposto fazer para a idade, se esqueça tudo isso e se tome o número da balança como o único indicador se as coisas estão a correr bem ou mal - sendo que mal é não estar a aumentar de peso como eles querem.


 


Uma amiga que tem dois filhos crescidos, adultos, ainda se lembra muito bem dos primeiros tempos. Também os filhos dela estavam sempre no nível baixo do percentil. Não tiveram suplemento e sempre foram saudáveis e desportistas.

Devia ter jogado no Euromilhões... (Somos campeões europeus de futsal)

Em primeiro lugar, devo dizer que eu não fazia ideia que ontem se disputava a final do Campeonato Europeu de Futsal. Mas ontem à tarde fomos a casa dos meus pais, e a certa altura o meu pai ligou a televisão, dizendo que "a pátria estava em perigo". Porque conheço o meu pai e as suas expressões, automaticamente pensei que a seleção portuguesa de futebol (ou outro desporto, mas é um facto que o meu pai vê mais futebol do que outra modalidade desportiva) iria jogar algum jogo importante.


 


Fiquei então a saber que se tratava da final entre Portugal e Espanha. Na minha enorme ignorância, comentei: 


 


- É "sempre" Portugal ou Espanha que ganha o campeonato, não é?


 


Avô Bruxo: Nós nunca ganhámos, a Espanha é o país que já ganhou mais vezes.


 


Eu, pondo memória e neurónios a funcionar: Ah! No hóquei é que somos nós ou a Espanha, não é?


 


Avô Bruxo: Sim, no hóquei, sim, é quase sempre Portugal ou Espanha que ganha.


 


Durante o jogo, fomos (eu, o Rogério, a minha irmã Margarida, o marido dela,...) ficando a saber algumas regras, que o meu pai nos foi explicando. Não ficámos "vidrados" ao écran, mas fomos espreitando e comentando o que ia acontecendo.


 


Análises de jogo à parte, quando o jogo foi para prolongamento com empate a duas bolas, já era mais do que altura de nós os seis (Mimi, Rogério e catraios) regressarmos a casa, mas entre o vamos-não-vamos, quando realmente saímos de casa dos meus pais já só faltavam uns três minutos para o jogo acabar. O Ricardinho, capitão da equipa e várias vezes eleito o melhor jogador de futsal do mundo, tinha entretanto ficado lesionado e teve de sair de campo. Lembrando-me da final do Campeonato Europeu de Futebol, em 2016, disse:


 


- Olha, é como na final entre Portugal e França, quando o Ronaldo, que era o capitão, ficou lesionado! 


 


Avô Bruxo: Pois é, já não me lembrava! Foi graças a isso que ganhámos o jogo! 


 


Eu: Não sejas mauzinho! 


 


Não esperámos os ditos três minutos porque podiam corresponder a muito mais tempo: por um lado, de cada vez que a bola sai de campo ou algo do género [não se esqueçam que quem vos escreve não percebe nada do assunto], interrompe-se a contagem decrescente do tempo de jogo; por outro, se não houvesse nenhum golo, teria de decidir-se o resultado em pénalties ou livres diretos, ou como-é-que-se-chama


 


Aproveitámos a viagem de carro para fazer as orações de fim de dia em família. Desta maneira, quando chegámos a casa, os filhos grandes puderam despachar-se e ir para a cama assim que estivessem prontos. O Rogério foi logo espreitar o resultado do jogo e veio dizer-me que éramos campeões, mas não sabia como. Mais tarde, viu o fim do jogo e contou-me que houve uma falta dos espanhóis e foi marcado um livre direto que resultou em golo. A seguir os espanhóis jogaram os cinco (guarda-redes incluído) ao ataque (a equipa portuguesa tinha usado a mesma estratégia quando estava a perder por 2-1 e fora assim que empatara), mas nos cinquenta e cinco segundos de jogo restantes não conseguiram anular a diferença. 


 


Depois de pôr a Magia na cama (após mamar e beber o biberão), liguei a televisão e a box e vi com os meus próprios olhos a concretização da minha previsão... É que a razão pela qual escrevi que devia ter jogado no Euromilhões foi que eu disse, antes de sair de casa, que "era justo"* que os espanhóis cometessem mais uma falta, que desse direito ao livre direto e que fosse golo... - exatamente o que aconteceu!


 


*porque, segundo o meu pai, a equipa espanhola é perita em colocar os adversários em maus lençóis relativamente às faltas... [apesar de desconfiar de uma certa parcialidade do Avô Bruxo, aderi à ideia por ser adepta da equipa lusa]


 


Viva Portugal!