A Magia está naquela idade da plena malandrice (em que olha para nós com um sorriso de esguelha antes de fazer alguma coisa que sabe que não pode ou não deve fazer), mas que é, tirando esse pequeno pormenor, uma delícia. Sobretudo ao nível da linguagem. Como todas as crianças nesta fase, diz mal muitas palavras (vou ter saudades disto, mais tarde), mas já não se inibe de dizer o que lhe vem à cabeça, isto é, não se limita a falar para pedir alguma coisa, para repetir alguma coisa (por sugestão nossa), ou para responder a uma pergunta específica ("Que fruta queres?", por exemplo).
Põe os bonecos a falar, dá(-nos) ordens ("Põe a cadeira ali!")...
Algumas das palavras que diz mal, assim de repente, são:
tocas - costas
cocas - cócegas
pêco - pêssego
pufavô - por favor
obigada - obrigada
pimas - primas
más - mais
auí - ali
cadeia - cadeira
uuz - luz
queo - quero
aqueua - aquela
uindo, uinda - lindo, linda
... e muitas outras, está claro.
Aquilo, no entanto, que mais me encanta na linguagem da Magia, atualmente, é o uso adequado de alguns pronomes demonstrativos. Vou dar-vos um exemplo.
Na casa de banho onde temos o mudador (que é onde a colocamos para mudar a fralda, mas também para a vestir e secar com a toalha após o banho), há dois interruptores. Um acende/apaga uma luz por cima do lavatório, o outro acende/apaga duas outras luzes. Quando vou preparar a Magia para ir para a cama (sesta ou noite), acendo apenas a luz por cima do lavatório, para ajudar a entrar em "modo cama". Quase sempre a Magia comenta a ausência das outras luzes.
Magia, apontando para as luzes apagadas: Más uuz!
Eu: Não vou acender mais luzes.
Magia, apontando para a que está acesa: É só aqueua?
Eu: Sim.
Mais difícil parece ser a aplicação dos "pares" de pronomes seguintes: eu/tu, meu/teu (sem contar com a confusão entre meu/minha).
Se perguntar...
- Quem é a Magia?,
responde...
- Eu!
Mas insiste que uma coisa dela é "teu" (porque eu lhe digo: "É teu!") e não "meu", apesar de eu dizer para dizer "O casaco [por exemplo] é meu." Convenhamos que não é fácil - eu vi-me grega para explicar isto, agora mesmo!!! ![]()
É uma fase tão gira! 😍
ResponderEliminarTambém vou ter saudades!
Acredito que sim (nem conheço quem tenha filhos, já todos crescidos, e não tenha uma certa nostalgia a este respeito), mas, Joana, tu ainda tens muitos anos pela frente de "linguagem deliciosa", pela certa... Já eu, é pouco provável (embora não impossível) que tenha, quando a Magia passar esta fase...
ResponderEliminarPois tenho!
ResponderEliminarAinda a Mariana não fala, nem a Luísa nasceu...a Alice está no ponto!
Sim, os dois anos são o auge desta fase linguisticamente deliciosa!
ResponderEliminarO tempo passa tão depressa não é? :)
ResponderEliminarMas olha, acho que no supermercado vou começar a pedir por pêcos, é que uma pessoa poupa imenso tempo em vez de dizer pêssegos
Essas fases deixam mesmo imensas saudades!
ResponderEliminarÉ verdade que essa fase é uma doçura. Eles a tornarem-se uma pessoinha comunicante . Adorei passar por aí!!
ResponderEliminarE realmente algumas coisas são dificeis de explicar, são mesmo intuitivas...
Passa muito depressa, sim, ... mas só para algumas coisas!
ResponderEliminarExperimenta isso no supermercado e depois conta-me qual foi a reação!
Pois deixam!
ResponderEliminarSim, e só com o tempo, e o facto de ouvirem as pessoas mais velhas a falarem (supostamente) corretamente, é que os "cliques" se vão dando, aos poucos, e quase sempre inconscientemente!
ResponderEliminarUma ternura essa fase. Infelizmente não vivi com o meu filho, só com a minha filha. E tenho saudades, muitas principalmente da Bá. Com o filho vou ter muitos anos a vibrar por cada palvra que ele diz, mas é uma vivência diferente.
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