quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Sobre a obediência

Tenho umas novidades para contar / mostrar (nada do que algumas pessoas ficaram logo a pensar com a palavra "novidade"), mas este post é simplesmente a divulgação de um post que acho que vale muito a pena a ler (que é, na verdade, o que eu acho de todos os posts d'«Uma Família Católica»).

15 comentários:

  1. Respostas
    1. Claro que sim. Eu identifico-me com as deste post.

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  2. Wow. São tantas as razões para discordar desta atitude que nem sei por onde começar.

    É verdade que há qualquer coisa de admirável em ser capaz deste tipo de humildade (que, a mim, me parece muitas vezes ser do tipo "sou mais humilde que os outros", mas adiante). No entanto, mesmo que se aceite que Jesus é o exemplo perfeito de humildade e obediência, nem os Cristãos são Jesus nem o Papa é Deus.

    Aceitar ordens ou seguir orientações porque quem as dá tem um acesso privilegiado ao divino já teve como resultado Cruzadas, Inquisição, Autos de Fé, Censura e muitas outras atitudes não compatíveis, mais uma vez do meu ponto de vista, com as ideias centrais do Cristianismo.

    Não se pode dizer "Essas não valem, o Papa responderá por elas". Lá por este Papa ser simpático e não ter grande coisa em comum com alguns dos seus menos iluminados (digamos assim) antecessores, não quer dizer que não deva ser questionado. As pessoas em posição de autoridade devem ser mais questionadas do que as outras, não menos.

    A lista de atitudes indefensáveis tomadas por Papas ao longo da história é demasiado longa e o sofrimento causado pela sua influência demasiado grande. Talvez haja Papas que tenham "respondido" por todas as vezes em que um Cruzado matou um Infiel (sic) que se encontrava na terra onde nasceu a praticar a religião que recebeu dos seus pais. Não "responderam" enquanto vivos e, a mim, não me interessa muito se responderam depois de mortos.

    Se o tal Cruzado não fosse (provavelmente) um analfabeto ignorante, convencido por bulas, privilégios e indulgências de que estava a ganhar o Céu enquanto servia interesses políticos e económicos de que nem se apercebia e, convenientemente, enchia os seus cofres e os da Igreja, se tivesse sido ensinado a questionar em vez de a obedecer, talvez tivesse ficado em casa a plantar couves.

    No limite, há uma razão para ninguém discutir porque é que "seguir ordens" não foi aceite como desculpa no Julgamento de Nuremberga.

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    1. Só respondo quanto à parte da atitude tipo "sou mais humilde dos que os outros" - não é de todo isso que está por trás, mas admito que possa parecer.

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    2. Estive para colocar no blog original mas tive pena de ir perturbar os elogios mútuos e tom adocicado dos comentários com as minhas heresias (também conhecidas, noutros meios, como História). :p

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    3. Factos históricos são factos históricos. Não te esqueças é que o que acontece numa dada época histórica tem um contexto histórico e não deve ser interpretado à luz da iluminação (ou não) dos tempos posteriores. E para mim já chega de referir História - sabes muito bem que História foi na minha história de estudante o grande calcanhar de Aquiles.

      Apesar do tom irónico com que dizes as razões pelas quais não o fizeste, agradeço que não tenhas colocado no blogue original - embora ache que, desde que fosses correta, não irias causar nenhuma afronta à Teresa Power.

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    4. Quanto a mim o contexto histórico é mais uma desculpa, e mesmo como desculpa, só se aplica ao comum dos mortais. Se o Papa comunica com Deus de forma privilegiada não pode ser afectado por contextos históricos, a menos que Deus também o seja.

      O tal Cruzado era ignorante e manipulado, mais ou menos como os terroristas islâmicos hoje. Seguir ordens e "contextos históricos" não justifica nada. Recebendo as mesmas ordens, e vivendo no mesmo contexto histórico, muitos seguiram outro caminho.

      S. Francisco de Assis participou de uma (ou duas?) Cruzadas e acreditava ser dever de um bom Cristão converter os infiéis (para bem destes, claro). Nisto era claramente afectado pelo contexto histórico em que vivia. No entanto, e apesar desse contexto, nunca teve um comportamento "típico" de Cruzado... nem matou os que não concordavam com ele nem se coibiu de censurar claramente os hábitos pouco cristãos aceites como normais entre os Cruzados na Terra Santa e "desculpados" por indulgências várias. Que é como quem diz, pensou pela sua própria cabeça, avaliou essas acções face à sua compreensão do Cristianismo e à sua consciência e agiu em conformidade. S. Francisco de Assis não me parece um mau exemplo... ;)

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    5. Não vale. Acabei de escrever um comentário (assim para o grande) e quando carreguei em publicar... foi-se!
      A horas de ir jantar, escrevo uma versão muito mais rápida do que tinha escrito.

      Acho que confundiste o S. Francisco de Assis com o S. Francisco Xavier (do que conheço, gosto muito dos dois).

      Felizmente há pessoas que não matam outras por entenderem que não o devem fazer, independentemente de quem manda. Mas o Papa é um homem, nada mais, claro que é afetado pelo contexto histórico.

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    6. Não confundi. Conheço pouco do Francisco Xavier (de que não gosto) mas conheço alguma coisa de S. Francisco de Assis, que é dos raros que me merece o S. antes do nome. Tenho duas biografias que falam desta ocasião, não me recordo dos pormenores mas aparentemente S. Francisco atravessou um acampamento de muçulmanos até conseguir falar com o Sultão. Acho que a ideia era convertê-lo ou morrer a tentar. Não o chegou a converter mas impressionou-o o suficiente para ter sobrevivido à visita e o Sultão lhe ter pedido a benção (ou qualquer coisa semelhante).

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    7. Conheço essa história exatamente associada a S. Francisco Xavier!

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    8. Nope. S. Francisco há só um, o de Assis e mais nenhum. ;)

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    9. http://www.academia.edu/1833470/The_Friar_and_the_Sultan_Francis_of_Assisi_s_Mission_to_Egypt

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    10. Gostei do artigo, que por acaso termina assim: "If history is a mirror, it reflects above all a darkened and distorted image of our own worries and aspirations."

      Quanto ao episódio, o parecido que conhecia associado ao S. Francisco Xavier passou-se no Japão, com um imperador (do que me lembro e pelos vistos posso estar a fazer confusão).

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    11. É verdade. Enquanto não inventarem as viagens no tempo... e, mesmo nessa altura, tenho dúvidas quanto à objectividade dos observadores (e até quanto a deverem, nesse caso, ser apenas observadores).

      Sei que não és grande fan de ficção científica mas talvez aches este interessante: http://www.dailymotion.com/video/x264qni_star-trek-the-next-generation-season-3-episode-04-who-watches-the-watchers_tv

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    12. Espreitei o episódio. O título "prometia", em relação ao que andámos aqui a falar! :-) Mas só espreitei mesmo um minuto, se tanto (não tive paciência para mais).

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- Posso fazer o meu comentário?
- Claro que sim, mas tendo cuidado com a linguagem.
Obrigada!