sexta-feira, 14 de junho de 2013

Roubei este texto a uma aluna do 12º ano

Não a conheço. Parece que se chama Inês Gonçalves. Partilhou no facebook uma nota. E essa nota merece  e deve ser divulgada.

"Estudo no 12º ano, tenho 18 anos. Sou uma entre os 75 mil que têm o seu futuro a ser discutido na praça pública.

Dizem que sou refém! Dizem que me estão a prejudicar a vida! Todos falam do meu futuro, preocupam-se com ele, dizem que interessa, que mo estão a prejudicar…

Ando há 12 anos na escola, na escola pública.
Durante estes 12 anos aprendi. Aprendi a ler e a escrever, aprendi as banalidades e necessidades que alguém que não conheci considerou que me seriam úteis no futuro. Já naquela altura se preocupavam com o meu futuro. Essas directivas eram-me passadas por pessoas, pessoas que escolheram como profissão o ensino, que gostavam do que faziam.
As pessoas que me ensinaram isso foram também aquelas que me ensinaram a importância do que está para além desses domínios e me alertaram para a outra dimensão que uma escola “a sério” deve ter: a dimensão cívica.

Eu não fui ensinada por mágicos ou feiticeiros, fui ensinada por professores! Esses professores ensinaram-me a mim e a milhares de outros alunos a sermos também nós pessoas, seres pensantes e activos, não apenas bonecos recitadores!

Talvez resida ai a minha incapacidade para perceber aqueles que se dizem tão preocupados com o meu futuro. Talvez resida no facto de não perceber como é que alguém pode pôr em causa a legitimidade da resistência de outrem à destruição do futuro e presente de um país inteiro!
Onde mora a preocupação com o futuro dos meus filhos? Dos meus netos? Quem a tem?
Onde morava essa preocupação quando cortaram os horários lectivos para metade e mantiveram os programas?
Onde morava essa preocupação quando criaram os mega-agrupamentos?
Onde morava essa preocupação quando cortaram a acção social ou o passe escolar?
Onde mora essa preocupação quando parte dos alunos que vão a exame não podem sequer pensar em usá-lo para prosseguir estudos pois não têm posses para isso?
Não somos reféns nessa altura?               
E  a preocupação com o futuro dos meus professores? Onde morava essa preocupação quando milhares de professores foram conduzidos ao desemprego e o número de alunos por turma foi aumentado?

Todas as atrocidades que têm sido cometidas contra nós, alunos, e contra a qualidade do ensino que nos é leccionado não pode ser esquecida nunca mas especialmente em momentos como este!

Os professores não fazem greve apenas por eles, fazem greve também por nós, alunos, e por uma escola pública que hoje pouco mais conserva do que o nome. Fazem greve pela garantia de um futuro!

De facto, Crato tem razão quando diz que somos reféns, engana-se é na escolha do sequestrador!

E em relação aos reféns: não são só os alunos; são os alunos, os professores, os encarregados de educação, os pais, os avós, os desempregados, os precários, os emigrantes forçados... Os reféns são todos aqueles que, em Portugal, hipotecam presentes e futuros para satisfazer a "porra" de uma entidade que parece não saber que nós não somos números mas sim pessoas!
Se há momentos para ser solidária, este é um deles! Estou convosco*
Inês Gonçalves"

15 comentários:

  1. Muito bom!
    Não podemos ser reféns de políticas e políticos que nos destroem as vidas, os sonhos e o sorriso. Os professores não estão a prejudicar o futuro dos jovens com a greve que agendaram, o futuro dos jovens não depende se um simples exame, depende sim, da sociedade que deixarmos vingar.

    http://www.lavarcabecas.blogspot.pt/

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    1. Também achei muito bom, por isso partilhei. E concordo com as suas palavras.

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  2. Olá, Bruxa MImi
    Já tinha ouvido falar deste texto mas, como tenho andado um pouco ausente da blogosfera e das redes nestes últimos dias, ainda não tinha lido. Obrigado pela partilha e, acima de tudo, por ter tido a amabilidade de me comunicar.
    O texto dá-me alguma esperança em relação ao futuro. Enquanto houver jovens que percebam que a luta dos profs é a luta deles, há razões para acreditar num futuro melhor
    Hoje, os profs deram um exemplo de cidadania ao aderirem à greve. O governo cobriu-se de ridículo! Mais logo, vou fazer um link para este post.
    Obrigado

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    1. Bem-vindo, Carlos!
      Eu gostei muitíssimo deste texto e tenho-o partilhado quando me parece oportuno.

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  3. Parabéns pelo espírito de lucidez com o qual manifesta o seu apoio aos professores. 5*`s!

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  4. Uma "aluna do 12.º ano" que depois se descobre ser Coordenadora Nacional de Estudantes do Bloco de Esquerda... uma prova que esta greve é política e não uma defesa dos direitos dos professores e alunos!

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    1. A Inês pode ser do bloco ou partidária mas fala daquilo que considera e muito bem estar mal neste pais...já a defesa governamental continua a ser e a responder anonimamente...e apesar de ser coordenadora nacional do bloco de esquerda, nao deixa de ser UMA ALUNA...mas infelizmente já deu para ver que com este governo ou estas com ele ou morres na valeta como caes...enfim. e pode já comecar a investigar o meu profile que irá ficar desiludido por nao ter a desculpa de dizer "é uma greve politica". A maior greve dos ultimos anos foi apartidaria e mesmo assim fizeram ouvidos moucos, portanto caro amigo greve politica ou não, continua a ser pouco o que o povo faz...basta ver as noticias internacionais para o saber...adoro estas pessoas que mesmo sabendo que está tudo mal continuam a defender...isso não é gostar, é ser doente....
      Peco desculpa à responsável do blog se me estiquei demais nas palavras e continuem a partilhar o que de mal vai neste país.
      Parabéns há Inês pelo texto explicativo r explicito sobre esta greve.
      Cumprimentos

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    2. Ao anónimo: Não sabia quem era a jovem do texto, nem me preocupei em sabê-lo. As palavras falam por si. Parece-lhe a si que só se poderia dar valor ao texto se tivesse sido escrito por alguma jovem sem preferência por nenhum partido? E se ela fosse filha de algum membro do governo (ainda há pessoas que pensam pelas suas cabeças e não pelas das suas famílias) teria mais valor?

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    3. Ao Joel Aguiar: Não considero que se tenha esticado. Obrigada pela sua participação.

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  5. Descobri agora esta informação sobre a autora do texto e achei por bem partilhá-la.

    http://p3.publico.pt/node/8295

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    1. Como escrevi anteriormente, não me preocupava realmente quem era a autora, mas acabei por ficar curiosa... e se calhar não fui a única!

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  6. Comentário do Sr. Henrique ANTUNES FERREIRA http://www.blogger.com/profile/17576911541744889385

    "Bruxinamiga

    Palavra que adorei esta carta! Por muitos motivos, mas, sobretudo, por um que me parece ser o principal e que permito aqui transcrever:

    «E em relação aos reféns: não são só os alunos; são os alunos, os professores, os encarregados de educação, os pais, os avós, os desempregados, os precários, os emigrantes forçados... Os reféns são todos aqueles que, em Portugal, hipotecam presentes e futuros para satisfazer a "porra" de uma entidade que parece não saber que nós não somos números mas sim pessoas!
    Se há momentos para ser solidária, este é um deles! Estou convosco»

    Como dizem os meus netos, a Inês é bué da fixe! Tanto me importa que seja do BE como do CDS; eu sou fundador do PS (o que nunca escondi) embora por carta porque então estava em Angola como oficial miliciano. E não me caem os parente na lama com o que digo aqui, a ti (pela boa ideia que tiveste) e, principalmente à Autora (pelo destemor, pela verticalidade, pelo entusiasmo, pela frontalidade,enfim, por tudo o que nos deixa para a admirarmos.

    [Nota da Bruxa Mimi: retirei este parágrafo do comentário original porque continha linguagem que considero inadequada para crianças]

    Já vai longo (como a légua da Póvoa...) este comentário; desculpa. Mas, só te deixo um convite; convite? Uma ORDEM!!! rsrsrs...

    Se quiseres, vai à minha Travessa, posta comentários e inscreve-te como minha (per)seguidora. Obrigado

    Qjs = queijinhos = beijinhos

    Henrique"

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  7. Cheguei aqui pelo link no Crónicas do Rochedo. Estive a ler outros posts, gostei do que li também sobre a Vassoura, a Varinha e o Feitiço e para ser mais fácil voltar, vou tornar-me seguidora.
    Gábi

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    1. Bem-vinda, Gábi! Obrigada pelas suas palavras simpáticas. :-)

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- Posso fazer o meu comentário?
- Claro que sim, mas tendo cuidado com a linguagem.
Obrigada!